quando eu senti
o meu corpo entendendo
quase que me dissolvi
nas minhas próprias águas.
vezes lagos límpidos, vezes tormentas
mas sempre esse desejo de mergulhar.
e enquanto sou mar
você é céu.
enquanto eu riacho
você venta nos véus
das nuvens que estão sempre lá,
sempre passando pareidolias,
cirrus, cumulus, nimbus;
mas nunca são as mesmas.
apenas uma fina linha no horizonte não nos deixa fundir.
e meu corpo estremece e não deixa mentir - é isso mesmo.
então mudo de cor, baixo a maré, cesso correntes;
sou o que está lá embaixo, bem no fundo, também.
mas quando evaporo, eu não vejo.
apenas sinto nos poros o ensejo
de ir chover do lado de lá,
e o teu vento me leva.
então decidi que só iria embora
depois de contar todas as tuas pintas - estrelas de você.
um céu de novas e supernovas todos os dias.