terça-feira, 3 de novembro de 2020

na minha horta chove ácido II

madruguei e desenterrei
esse verso já compostado
esquecido, deteriorado
mas que nunca deixou de dizer

sobre essa horta que floresce, frutifica
alimenta mas também danifica
entranhas com estranha acidez
de estar viva

então, da própria podridão
surge a gama de cores
texturas, efeitos e sabores
do Reino 

e no Reino alucina,
esse papel doce e azedo dessa sina
de deslumbrar e esquecer
toda e qualquer acidez dolorida
ou amargor acelerado
que muitas vezes tá embutido,
sem chance de ser evitado, porque
na minha Horta
chove ácido.


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