quarta-feira, 15 de maio de 2019

caldo

vou dando corda, furando onda.
vou andando na prancha.
vou me sentindo um gota.

fico submersa no fundo escuro e sujo do cais.
flutuo nas mais límpidas águas de maretórios astrais.

imersa no imenso eu.
submersa no imenso mar.
eu deito e fico até subir ao céu.

mas basta um pequeno vento pra um grande movimento.
uma coisinha aqui que é um tsunami lá.

corrente, me joga pra fora do profundo.

então caí na real com tudo:
cotovelos e joelhos ralados na areia.

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