memórias do rio de janeiro II

no rio de janeiro se faz samba e amor até mais tarde. é sabido que o samba e o amor andam juntos, desde que o samba é samba é assim. e é lógico que o samba fala de tudo, mas nesse caso aqui, é de amor carioca que estamos falando.

aprendi muito sobre amor com o samba. aprendi que o amor dói mas pode ser curado. aprendi a chorar cantando. aprendi que não existe coisa mais triste que ter paz. que quem é homem de bem não trai. que o samba é lamento, é sofrimento, é fuga dos meus ais. que o mundo é um moinho. que amor não é brinquedo. que o canto de ossanha é traidor. e até dança da moda eu sei.

em muitos muros da zona oeste, vemos anúncios da vovó maria conga que faz trabalhos para o amor. muitos mesmo. do outro lado, vi dezenas e mais dezenas de propagandas feiticeira e da vovó maria cabinda anunciando a mesma coisa. sei que os pretos velhos nada têm a ver com as amarrações, mas onde tem propaganda, tem demanda.

e as artes dos muros do rio também falam mais de amor. e o rio está cheio de casais de toda idade e tipo. e cheio de gente querendo se apaixonar. tão cheio que os flertes vão desde migué de gringo falso até chá gelado gentileza na praia.

e nos poucos bares que passei, já que deve haver milhares e milhares, em todos, todos sabiam cantar os sambas de amor. e todos cantavam com muita devoção. lindo de ver, de ouvir, de sentir.

no rio de janeiro fiz samba e amor até mais tarde. tive muito sono de manhã.

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