Escorrego,
mas não caio,
não me entrego
não me desespero
                       pelo menos não sempre

por quê sonho demais?
por quê escorrego,
por que enxergo
violeta lilás púrpura fúcsia
vinho berinjela uva crepúsculo
degradé, nuances, gradientes
ao invés de
roxo?
qual a utilidade
a finalidade
vou dar em quê
aonde
ou pra quem?
pra que tantas ideias?
por que essa sinestesia
por que maresia
por que ventania
por que preguiça de acento
por que assento da janela esquerda
por que licença poética
licença patética
ser normal parece ser tão menos complexo
              o que será que é ser normal, não?

ser anormal nunca quis dizer melhor
não é privilégio nem exclusividade
então veja bem onde se enfia. 
se quer mesmo ser a pessoa
que não escuta suas favoritas no rádio
que está sempre sozinha no pátio
que se mete em buracos negros inexistentesseduzida pelas estrelas incandescentes
se enchendo de porque, porquê, por quê, por quetendo muito trabalho para diferenciá-los
como tenho para tantas coisas da vida.

[meados de junho de 2011]

Nenhum comentário:

Postar um comentário

stellium em câncer

sol, lua, marte, mercúrio maria bethânia que perfeição