Uranometria

nasci velha sob o cardinal de terra;
com muita terra, solo forte.
herdada a maldição ou sorte,
sigo numa jornada que nunca se encerra

híbridas de terra e água,
nós cabras subimos as montanhas;
atravessamos todas as planícies
até chegar naquelas que são mais íngremes,
com flechas enfiadas nas entranhas

pra além da predisposição para o terreno
no céu, atestei o meu amor incondicional e fluído
que passa até pelo espaço mais comprimido
até desaguar num mar tranquilo e sereno

pelo Touro ascendendo,
descobri meu descendente Escorpião
que junto com Vênus pisciana e Marte canceriano.
três águas compõem a imensidão dos meus três oceanos

nada e nada, e nada de fogo
só Sagitário deu o ar da graça no meu escopo
guiando o Nodo Norte e acendendo essa inquietação
revelando o Nodo Sul e os demônios que despertarão

do mais, terra e água se unem formando a massa
que pode construir qualquer coisa nessa vida
com o sopro dos ares de Aquário, Gêmeos e Libra

sob a regência do tempo, encontrei Oxalufan
que estava lá quando tudo era um,
depois só de Olorum
desde os primórdios escolhendo
os primeiros tons desse meu prelúdio

e hoje, nessa lua cheia pisciana, devaneei com Nanã
que anda com os pretos velhos que essa cabra ama
que há de fazer brotar uma flor de Lótus na sua lama

stellium em câncer

sol, lua, marte, mercúrio maria bethânia que perfeição