onírica

da estagnação nasce o caos
do caos nasce a estagnação
quantas vezes aguentar.

o ar não preenche os pulmões
esmagados pelos apertos causados
pelo coração tão conturbado.

o ar é rarefeito
e qualquer coisa
é em dobro o efeito.

calor convertido em ansiedade.
sentimento convertido em sonoridade.

esquentando, aquecendo,
concentrando, precedendo
um big bang.

quem dera uma exploração espacial.
navegar na ausência de matéria.
eventuais portais tridimensionais,
buracos negros e fendas temporais.

de repente tudo suga, e tudo segue
pra outro desenrolar.
e outro desenrolar.
e outro.

...a engenharia social
comprime, reprime,
saqueia, resseca.

e aí,
quer entorpecer.
e aí,
tem ressaca.

tem que hidratar
pois está tudo seco.
a sede é insaciável
mas é controlável

assim como a vontade de abrir os braços e se jogar
mas parece que estamos sendo
embalados a vácuo

de Lerna, Hidra vem da água,
água nem sempre vem de hidra.
Hidra gigantesca e grotesca.
cada cabeça dela é uma mágoa.
o corpo de dragão são o peso e o pesar.

como no deserto
a mente delira febril.
vêm miragens inevitáveis
do que está cheio o coração tão conturbado.

o corpo quente exala calor,
que é convertido em ansiedade.
e mais sentimentos, em sonoridade.

do caos, nasce a estagnação.
da estagnação, nasce o caos.
quantas vezes aguentar.
até conseguir acordar.

a riqueza do vocabulário versus a falta do verbo

mais do que qualquer outra coisa é meu apreço pelas palavras que me faz escrever a vontade de ter um grande léxico de palavras inesquec...