na minha horta chove ácido

à primeira lida, parece

mas não é

e não, porque nem sempre

então.
o que chove na minha horta
muitas vezes me corrói
entope minha aorta
com tanta coisa não dita
e me infarta.
arruína minhas ervas,
noutrora tão fartas
me deixando austera.

então,
às vezes quero fazer chover
outros tipos de ácido, de transcender;
lisérgicos, psilocibinas,
para que todas as coisas não ditas,
não realizadas, não repartidas
possam se transformar
em alucinações
mirações
e arte.

da transmutação do tudo em nada ou do nada em tudo

quanto mais ando mais quero andar quanto mais sei mais quero saber mas quanto menos quero melhor estou quanto menos almejo ...