dos estilhaços espalhados por aí

canso
descanso
quebro

me quebro,
milhares de estilhaços,
espalhados por aí.
marcas, indícios
de depravado vício
que emerge
do nada e submerge
atemporal

canso
descanso
componho

e me recomponho
esquecendo os fracassos
de me dar por aí,
misturo arte na tristeza
com certa destreza
de praxe
assim mesmo, sem sintaxe,
informal

canso
descanso
parto

e me reparto
em vários pedaços.
de novo, me espalho por aí,
deixo marcas, resíduos
nalguns indivíduos
que surgem
do nada, feito nuvem
de temporal

canso
descanso
lembro

relembro
que é parte do acaso
esses pedaços espalhadas por aí,
e dentre tantos tropeços
quase me esqueço
que no fundo
o que eu quero é sempre mais profundo
e visceral

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