suspensão I

tem vez que a gente viaja
e as coisas ficam suspensas
meio pesadas e imensas
atmosfera densa

nas gotas imundas de chuva
na névoa das quedas de água suja
que nos alteram a percepção
que nos embaçam a visão

no grave do chill out que nunca explode
na cadência do samba que não começa
e dói porque de música dependo
bate, eu seguro e suspendo

suspendo
as dores e e desamores
e desafetos e desativo
cancelo os inativos
funções desnecessárias
danças involuntárias
de flow e psicodelia
explodindo em taquicardia

suspendo
viajo
e compreendo

sólidos suspensos noir

stellium em câncer

sol, lua, marte, mercúrio maria bethânia que perfeição