imersão I

não sei bem porque
insisto tanto em encontrar
palavras, expressões bonitas
para dar nome pras coisas escritas
nos momentos que são sempre iguais

submersa
em transcendência sonora
na nostalgia de outrora
no descolamento astral
na fenda temporal
em metafísica dogmática
numa ditadura democrática
num romantismo cibernético
num sexo anti-ético
no amor em ascensão
no fim em perdição

e em tantes outres

imersa
nesse flow que acontece sempre
a cada não sei quantas luas cheias ou crescentes
que parece que a gente fica diferente
parece que é tudo tão único,
mas que é tipo ácido,
e a gente já sentiu tudo isso antes

imersa
num turbilhão
de pensamentos
de acontecimentos
e de pessoas
de canoas
nos mares
e pesares
e pomares
imersa
intensa
e imensa


Nenhum comentário:

Postar um comentário

da transmutação do tudo em nada ou do nada em tudo

quanto mais ando mais quero andar quanto mais sei mais quero saber mas quanto menos quero melhor estou quanto menos almejo ...