hielo

às vezes sinto falta
de uma daquelas noitadas
de uma prosa de madrugada
de segunda voz na canção
de ouvir outro coração

sinto falta 
de ver o cru
de sentir o nu 
meiar o cigarro
acompanhar os passos
dormir sem perceber
e acordar alguém sem querer

to cansada 
dessas atrações externas
dessas relações pós modernas
tão efêmeras, individuais
distintas e casuais

depois 
sobra só 
o silêncio
dos dias seguintes
dos alvos seguintes
e fica como se nada tivesse acontecido
porque de fato nada aconteceu

depois
sobra só
um acorde de dó
um vácuo no contratempo
um assobio do vento
e uma frustração 
de um "nunca mais vou te ver".

da transmutação do tudo em nada ou do nada em tudo

quanto mais ando mais quero andar quanto mais sei mais quero saber mas quanto menos quero melhor estou quanto menos almejo ...