hielo

às vezes sinto falta
de uma daquelas noitadas
de uma prosa de madrugada
de segunda voz na canção
de ouvir outro coração

sinto falta 
de ver o cru
de sentir o nu 
meiar o cigarro
acompanhar os passos
dormir sem perceber
e acordar alguém sem querer

to cansada 
dessas atrações externas
dessas relações pós modernas
tão efêmeras, individuais
distintas e casuais

depois 
sobra só 
o silêncio
dos dias seguintes
dos alvos seguintes
e fica como se nada tivesse acontecido
porque de fato nada aconteceu

depois
sobra só
um acorde de dó
um vácuo no contratempo
um assobio do vento
e uma frustração 
de um "nunca mais vou te ver".

com as mãos frias e os pés gelados junta, mais uma vez, os cacos do coração despedaçado no solstício de inverno e no deserto frio que ...