intitulável

por Dani Soon


viajo porque preciso,
volto porque te amo.

porque às vezes as coisas fazem mais sentido
quando se ouve música dirigindo.
a gente senta, e as coisas passam.
diminuem até desaparecer no retrovisor.
assim como o resto:
fica o que a gente consegue gravar dentro da cabeça.

escrevo porque preciso,
e esqueço porque te amo.

lembrei que nunca tive grande pretensão com isso
e que não era pra ninguém que eu fazia isso.
era só a terapia que nunca fiz.
síntese dos acontecimentos
misturada com auto psicanálise.
penso mais que escrevo.
logo penso mais e esqueço.
e é engraçado como se passam os anos
como se provocam os danos
e como mudam-se os planos
enquanto eu escrevo
ou desenho, quando não dá.

nicotina porque preciso,
cafeína porque te amo.

engraçado também como são confortáveis os vícios
e como se fazem sempre necessários ou propícios
e como permanecem alguns resquícios...
muitas lembranças e algumas ressacas.
algumas cruzes e muitas espadas.
e as minhas diversões e desejos, hoje são muito mais lúdicos.
e os sonhos estão mais detalhados e mais lúcidos,
e mais diversos, e mais perversos, diga-se de passagem.
e me conecto com o exterior até de maneiras indiretas,
e meu corpo aprendeu a se entregar a outros fluxos.

fluoxetina porque preciso,
marijuana porque te amo.

stellium em câncer

sol, lua, marte, mercúrio maria bethânia que perfeição