Vertigem

desconheci o gosto daquele rum
ele, desconhecido, e até que comum:
mas desse, conheci só um,
e acho que esse um
já me basta...

pois melhor não podia ter sido,
a não ser que tivéssemos tido
         um pouco mais de tempo.

não era cavalheirismo, era só gentileza,
e bebíamos no gargalo todo o vinho,
e ele enchia nossos copos de cerveja,
enchia nossas conversas de música,
e contava sonhos que pareciam os meus,
e eu, falava desejos que eram também seus.
e quando acendia meus cigarros
e quando apertava meus braços
tão discretamente...
quando fazia essas coisas todas
que ficavam só entre a gente.

toda aquela acidez
toda aquela embriaguez
e toda lucidez
que vivemos naquele mês

felizmente não virou cicatriz;
não tinha fio cortante,
e sim novas cores,
novos traços nas nossas bagagens
e esse instante,
- grande
deu vontade, deu vertigem
e virou tatuagem.

... e era tão tátil... 
     você e eu....  
        eu e... 



da transmutação do tudo em nada ou do nada em tudo

quanto mais ando mais quero andar quanto mais sei mais quero saber mas quanto menos quero melhor estou quanto menos almejo ...