Chanson D'Amour II

por Annette Pehrsoon

o telefone já não toca mais,
violão azul já não existe mais,
e já não toca mais canções como antes,
e já não rabisca como antes,
e nem fuma como antes,
porque é sol demais
suor demais
sal demais

mas bastou passar azul nas unhas agora compridas
como fazia na época das chansons d'amour
época de cigarro, uísque e fossa em abundância
de constante existência ruas afora e inconstância
que o céu perfeito se acinzentou
a chuva, fina e delicada, caiu
o ar quente e parado logo esfriou
o vento gelado fez se presente na tez
e a inconstância misturada com existência se refez

então pôde levantar da cama
pode rever alguns que ama
compartilhar momentos pequenos e doces
andar pelas ruas sem cansar
passar um café novo
colocar umas canções velhas
vestir o casaco favorito
ver filmes nostálgicos

como na época da chanson d'amour,
pintou as unhas de azul
existiu e fez sentido de novo
sabendo qual seria de novo
a última canção



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