Soneto do Sempre

(As Meninas - Pablo Picasso)


e lá no mesmo banco se senta...
mesmas músicas dos anos sessenta...
olhando para o mesmo nada de sempre...

tem no colo o mesmo caderno...
versa sempre sobre o mesmo inferno...
e reclama do clima sempre quente...

e, talvez, daqui a algumas primaveras verão
o mesmo ou algum outro sentado naquele lugar
com mais alguma variação do pensar-lunar
fazendo a mesma coisa, de maneira diferente

mudam as cores e as tendências de cada verão
mas nada se muda, tudo é uma releitura
das mesmas questões e modas
das mesmas histórias e estórias



da transmutação do tudo em nada ou do nada em tudo

quanto mais ando mais quero andar quanto mais sei mais quero saber mas quanto menos quero melhor estou quanto menos almejo ...