Nostálgica

(Absinto - Edgar Degas)


Há muito que não fazia isso
desde tempos de escola,
tempos de pão com geleia de amora
que mama fazia.

sento-me na escrivaninha que
já esteve em todos os cômodos
e com um certo incômodo
coloco-me a listar.

Memória ruim,
uns nomes tão singulares
uns inventados pelos pais
esquisitos assim.
outros tão comuns quanto
meu primeiro nome.
outros sem nome.

Fiz uma lista incompleta
coloco os que aparentemente
teriam valido a pena.

cheguei a sair com alguns
mais que uma vez, depois de certo tempo.
vir pôr do sol, tomei sereno.
falei das músicas e das meninas,
aquelas coisas de sempre
que nunca são iguais.

quais teriam valido a pena?

todos valeram a pena
e nenhum valeu a pena
pois,
se algum sim,
tivesse valido a pena,
o que explicaria a ausência
nesse momento?

livramentos

me perco nas palavras bonitas nas frases bem ditas das linhas benditas que são escritas em livros de todos os tempos logo, me perco no ...