Anos Depois




             
Para Bruno Nonvieri       .
menino, menino,
lhe quero tão bem
lembro das viagens que fizemos
das ideias que tivemos,
menino, e essa cor do seu cabelo
tão fino, tão violino.
te estimo.

e aquelas vespas,
uma azul e uma vermelha
vimos o lago que espelha
e soubemos o que é brisa

e as músicas, tantas tão ouvidas
sem cansar, sem riscar,
e ainda tenho tanta coisa pra te mostrar
tanta coisa que ias gostar

senta, tem caixa de som grande
tem cigarro, tem vinho e tem café
viajemos mais uma vez sentados no mesmo lugar
viajemos desde o topo até o nível da maré
tem calor, mas pros pés tem areia
areia não é pra jogar nos planos, pais

não posso fazer nada aqui
mas não quero que nada possa lhe fazer parar
que nada baixe teu olhar
nem que haja motivo

areia nos planos, planos na areia
um e um e de repente uma teia

mais que planos, teia de sonhos pequenos
imensamente pequenos,
teoricamente fáceis de realizar
impedidos apenas por essas muitas milhas

da transmutação do tudo em nada ou do nada em tudo

quanto mais ando mais quero andar quanto mais sei mais quero saber mas quanto menos quero melhor estou quanto menos almejo ...