Agora eu era herói




Quando eu andava me equilibrando pelo meio-fio
Quando acordava mais cedo e reclamava do frio
Quando eu maravilhava um Jan Olav de suéter verde
e esperava pacientemente que meu ipê crescesse
e olhava para o céu afim de me encontrar lá em cima
e via no meu anel de pedra transparente uma nuvem refletida
e espiava quem se apaixonava platonicamente
e sempre tentava estar sã dessa maneira demente
demente que mente
pra si mesmo
sempre



com as mãos frias e os pés gelados junta, mais uma vez, os cacos do coração despedaçado no solstício de inverno e no deserto frio que ...