Santa Marinella

deixou que o colar de pérolas da família seja arrebentado numa dança
e desonrou sua classe tomando uma daquelas cervejas comuns
sentiu o seu perfume importado se misturar comcheiro de cigarro

deixou que as mãos de alguém estragasse o penteado
perdeu a melhor presilha

deixou que o esmalte vermelho se descascasse tocando um violão sem palheta
tocou só uma canção italiana, Dalida
na bolsa, colocou os sapatos e os anéis e saia correndo
e saiu pulando as poças que refletiam as estrelas

deixou que a chuva escorra borrando o traço preciso do delineador.
essas noites de chuva prometeram mais sonhos
do que qualquer outro sábado caro

da transmutação do tudo em nada ou do nada em tudo

quanto mais ando mais quero andar quanto mais sei mais quero saber mas quanto menos quero melhor estou quanto menos almejo ...