Noite Estrelada

A Noite Estrelada - 1889 - Vincent Van Gogh


Um pensamento de criança era
deitar no telhado e olhar para aquele pano preto 
cheio de furinhos que deixam a luz vazar.
Olhar para o que parece estar tão perto.

Olhar para as estrelas que nem existem mais
assim como aqueles que olharam o céu de onde se está agora...
Lembrar daqueles que saíram mundo a fora
num espasmo da mesma coragem
que tento fazer caber na bagagem.

E por onde andariam as cadentes,
tão escassas, tão ausentes
nesses últimos tempos...?

Eu li, estava escrito em algum lugar, 
que são tempos difíceis para quem não abre mão de sonhar.

Olhar para o céu e descobrir o grão de areia
escorrendo na inevitável ampulheta
com uma só certeza, 
a do fim para o recomeço.

Que voltem logo as cadentes
para variar um pouco esse céu de estrelas inexistentes.
Que voltem e viajem de novo
nesse infinito Universo casquinha-de-ovo...

Entendi uma coisa:
Dessa noz na qual se vive
não vai sobrar mais nada
a não ser a minha noite estrelada.


livramentos

me perco nas palavras bonitas nas frases bem ditas das linhas benditas que são escritas em livros de todos os tempos logo, me perco no ...