Kiss.


Quis beber de todos os destilados, fermentados, pasteurizados. Quis sentir todos os aromas que pudesse. Quis colocar todos os vestidos, os chapéus, os sapatos. Quis cair, fumar, viajar, brincar. Quis de vários tipos e idades, quis saber de seus gostos e vaidades. Quis uma vida normal, um ou outro vizinho banal, uns amigos para a vida toda. Quis cachorro, carro, floreiras e só. Mas também quis um único amor, que durasse, que fosse, para uma história daquelas. Um único para recordar depois, para contar para seus netos, se quisessem sabê-lo.
Não quis popularidade, nem riquezas. Não quis nada caro, não quis importado. Não quis status perante a sociedade medíocre da cidadezinha medíocre que, ainda assim, leva os melhores da vida anos até agora. Não quis impressionar, não quis escutar o que falavam a respeito. Não quis uma joia que fosse, não o amor, mas sim o valor, está nos olhos de quem vê. Não quis aparecer na coluna social, não quis ser atual.

Quis pouco.

Quis um único que fosse, que durasse, para uma história daquelas.

Quis muito.

Quis saber quem decidia se era muito ou pouco.

Quis saber se teria ou não, se deveria esperar ou não.

Quis pouco.

da transmutação do tudo em nada ou do nada em tudo

quanto mais ando mais quero andar quanto mais sei mais quero saber mas quanto menos quero melhor estou quanto menos almejo ...