Chanson D’Amour

O que quer que pensasse,
tudo voltaria a chanson d'amour

Havia insetos em volta da luz
já se passavam das vinte horas
retirou das unhas o esmalte azul
de azul só ficou o blues da vitrola

Mas que quer que cantasse
acabaria cantando a chanson d'amour

Terminou uma parte do desenho
trocou umas palavras com a criança
pensou na noite que chegara com receio
desejou profundamente uma grande mudança

mas o que quer que desejasse
desejaria de novo a chanson d'amour

Quis uma garrafa de um destilado
lembrando do olhar daquele cantor
aquele seu ar francês e seus cigarros
cantando a frase da madrugada anterior

o que quer que lembrasse
lembraria da chanson d'amour

que gosto de cais havia deixado tal madrugada.
gosto de perfume amadeirado e cigarro caro
que gosto de cinema, de Jean-Luc Godard
gosto de chapéu preto e uísque barato

o que quer que fumasse
ela fumaria a chanson d'amour

desejar o impossível é uma tolice
uma tolice deliciosamente saborosa
ela não deixou de lado essa crendice
e acompanhou com um copo de vodka

e o que quer que bebesse
beberia da chanson d'amour
afinal, uma nova noite começara
e havia uma outra perspectiva ainda
 
um perfume diferente ela borrifara
e à nova noite desejou boas-vindas

mas no final do disco
havia a chanson d'amour


da transmutação do tudo em nada ou do nada em tudo

quanto mais ando mais quero andar quanto mais sei mais quero saber mas quanto menos quero melhor estou quanto menos almejo ...