O Porto

Lá, os barcos mais bonitos já vistos. O meu mar pode mudar de cor, junto com o meu céu. Cada um é único lá. O Sol que se transforma em dois, um no alto, perfeitamente elíptico, e outro perfeitamente distorcido embaixo, e depois se transforma em um só, se fundindo na linha do horizonte. Depois da fusão, um enorme pano preto cheio de furinhos é o céu da segunda parte. Tem a Lua, que vive mudando, sorrindo, chorando. Há cometinhas que chamam de cadentes, dizem que realizam desejos. Eu já acredito que são os anjos, que posso ver às vezes. E, falando em anjos, num dos barcos encontram-se muitos anjos, que nem conheci enquanto passaram por aqui. Só sei que conheço lá, e gosto muito deles. Há embarcações com flores e plantas, com ideias, com músicas novas e antigas e diferentes, com pincéis e giz e maluquices aos seus olhos, com anjos visíveis trazidos pelo acaso de forma certa. Há um anjo em especial, que me fala o certo na hora certa na medida certa e que tenta me entender. E sempre consegue ao seu modo. Não sei viver sem esse anjo, mas sei que um dia vou ter que aprender. Mas lá no meu porto, eu não costumo pensar no depois. Prefiro o agora. A brisa do meu porto pode ser colorida e cheirosa. Pode ter o cheiro daquele café. Pode ter aquelas cores de verão que ela gosta. Pode soprar tão forte que pode derrubar tudo. Mas no fim das contas, nunca consegue. Ventos fortes e temporais ão necessários. E sempre há arco-íris e cheiro de terra molhada depois. Há algo que move tudo isso e em que eu acredito por que eu sinto. Sentir é dificil, pois não é
explicável. E é bom que fique assim. Se houver a resposta, o que perguntar? As conchas são as mais resistentes. Indestrutíveis. Minhas conchas, elas podem até ser guardadas e esquecidas de momento... mas volta e meio, dou uma olhada nelas. Há ostras e ouriços, mas são inofensivos. Aprendi com as estrelas-do-mar que os braços podem se regeneram. Que ostras criam pérolas dentro de si. As redes são tecidas de interrogações que sempre trazem bons resultados e novidades, e até livros. No cais, têm alguns instrumentos e delírios. Parceiros, colegas, outros anjos, de uma espécie visível. De lá que trago lágrimas salgadas. De lá que trago a cor de mar. Trago a serenidade, a fúria. As ressacas podem ser perigosas e os mergulhos podem ser fascinantes. Gaivotas fazem barulhos que ficam na minha cabeça por dias. O mar me abate com ondas que sinto para sempre porque, afinal, segundo meu nome, sou de lá.


livramentos

me perco nas palavras bonitas nas frases bem ditas das linhas benditas que são escritas em livros de todos os tempos logo, me perco no ...