Agora que foi antes


Agora, o vento nas árvores de fora da escola
pensando no Egito e em Roma,
sentada na parede num êxtase côma
Tentando rimar o que lhe surge depois do desenho
pensando no que escrever na resenha,

agora um vento gelado nos pés
uma vontade de deitar
olhos fechados e suspirar

Acelerar aquele relógio gigante
ou então, derretê-lo
mas alguém dalí, do outro continento
já haveria feito.

Nem a Música já não está
minutos eternos que já vão acabar.
Agora só a voz do vento
um balanço de cortinas,
umas vozes distantes
e sono constante.

Não corrija os contradizentes
pois é no contraste que se encontram.
Se não morremos nessa miscelânea
que vem de forma instantânea,
é porque as ideias que contrastam
não enlouqueceram o suficiente a ponto de matar
e nem vão em vão

da transmutação do tudo em nada ou do nada em tudo

quanto mais ando mais quero andar quanto mais sei mais quero saber mas quanto menos quero melhor estou quanto menos almejo ...